quarta-feira, 29 de julho de 2009

INFLUÊNCIA, INVASÃO, IMPERIALISMO E DOMINAÇÃO

O País Estados Unidos da América (EUA) traz desde sua gênese a pretenção de civilizar o resto do mundo. Com a imposição de um padrão de cultura e consumo ele produz um intensa influência. Em seguida vai invadindo e cria a dependência econômica. Através desta os outros países se tornam colônias do seu império. E finalmente ele dominam as nações que se tornam satélites fornecedores de matéri prima barata e combustíveis para sustentar seu modelo de desenvolvimento.
Até agora falamos de um imperialismo como "área de influência". Mas ao longo de sua história muitas invasões os EUA promoveram, como recentemente a invasão do Afeganistão, depois do Iraque. Poucas décadas estendeu seus braços generosos através do financiamento e escola de governos militares (ditaduras) sejam na América, sejam na Ásia ou outros. Emfim, sua História é feita de sangue de diferentes Povos do mundo.
Seu modelo de civilização é insustentável. Este modelo ou paradigma gerou a crise que vem há dois anos se arrastando e que recentemente se fez sentir no mundo inteiro. E a base desta crise é a falência do sistema capitalista: explodiu com a crise imobiliária estadunidense, onde os cidadãos construiram ou compraram casas construidas cada vez melhores. Não conseguiram pagar os bancos, estes faliram. O governo ingetou milhões de dólares no sistema bancário e industrial, mesmo assim a quebradeira foi geral. E a economia se dá em escala global a crise se espalha a atinge todo mundo. O Brasil tem alguns mecanismos de defesa de sua economia, mas não oferece muita novidade uma vez que se baseia no modelo de produção e consumo (ou consumismo). Feito esta presentação tomo emprestado a fala de Leonardo Boff:

Bifurcação da humanidade
Nos inícios do ano os vinte países mais ricos do mundo (G-20) se reuniram em Londres para encontrar saídas à crise econômico-financeira mundial. A decisão de base foi continuar no mesmo caminho anterior à crise mas com controles e regulações a partir de uma presença maior do Estado na economia. Os controles seriam pelo tempo necessário à superação da crise, a fim de evitar o colapso global e as regulações para restaurar o crescimento e a prosperidade com a mesma lógica que vigorou antes.
Esta opção implica continuar com a exploração dos recursos naturais que devastam os ecossistemas e fazem aumentar o aquecimento global e o fosso social entre ricos e pobres. Se isso prosperar dentro de pouco enfrentaremos crise da mesma natureza, pois as causas não foram eliminadas. Acresce ainda o fato de que os restantes 172 países (ao todo são 192) sequer foram ouvidos e consultados. Pensou-se em ajudá-las mas com migalhas. Efetivamente, toda a África, o continente mais vulnerável, seria socorrida com menos fundos que o governo dos EUA aplicou para salvar a General Motor.
O impacto perverso da crise sobre os países de baixo ingresso apresenta-se aterrador. Estima-se que, enquanto durar a crise, mais de 100 milhões de pessoas caiam cada ano na extrema pobreza e um milhão de postos de trabalho se perderão por mês. Tal fato fez com que o presidente da ONU, Miguel d’Escoto Brokmann, imbuído de alto sentido humanitário e ético, convocasse uma reunião de alto nível que reunisse os 192 representantes dos povos para juntos discutirem entre si a crise e buscarem soluções includentes. Isso ocorreu nos dias 24-26 de junho do corrente ano nos espaços da ONU. Todos falaram. Era impactante ouvir o clamor que vinha das entranhas da Humanidade: os ricos lamentando os trilhões em perdas de seus negócios e os pobres denunciando o aumento da miséria de seu povo.Muitas vozes soaram claras: não bastam controles e regulações que acabam beneficiando os que provocaram a crise. Faz-se urgente um novo paradigma que redefina a relação para com a natureza com seus recursos escassos, o propósito do crescimento e o tipo de civilização planetária que queremos. Importa elaborar uma Declaração do Bem Comum da Humanidade e da Terra que oriente ética e espiritualmente o sentido da vida neste pequeno planeta.Depois de um intenso trabalho previamente feito por uma comissão de expertos, presidida pelo Nobel de economia Joseph Stiglitz e com as colaborações vindas de quatro mesas redondas e da Assembléia Geral concertou-se um documento detalhado que ganhou o consenso dos 192 representantes dos povos. O perigo coletivo facilitou uma convergência coletiva, uma raridade na história da ONU.
O documento prevê medidas inéditas especialmente para salvar os mais vulneráveis sob coordenação de várias instituições internacionais, articuladas entre si. Mas, o mais importante é a apresentação de um programa de reformas sistêmicas que prevê um sistema mundial de reservas com direitos especiais de giro, reformas de gestão do FMI e do Banco Mundial, regulações internacionais dos mercados financeiros e do comércio de derivados e principalmente a criação de um Conselho de Coordenação Econômica Mundial equivalente ao Conselho de Segurança. Desta forma se presume garantir um desenvolvimento estável e sustentável.

O fato desta cúpula mundial é gerador de esperança, pois a humanidade começa a olhar para si como um todo e com um destino comum. Mas todas as soluções se orientam ainda sob o signo do desenvolvimento, o fator principal gerador da crise do sistema-Terra. Ele tem que ser trocado por um "modo sustentado geral de viver", caso contrário assistiremos à bifurcação da humanidade, entre os que desfrutam do desenvolvimento e os que são vítimas dele. Não chegamos ainda ao novo paradigma de convivência Terra-Humanidade, forjador de uma nova esperança.

O próximo futuro, dizia o Presidente da Assembléia, será pela utopia necessária que precisamos construir para permanecermos juntos na mesma Casa Comum.
[Leonardo Boff é do corpo de assessores do presidente da Assembléia da ONU e com este título participou dos trabalhos ai realizados].

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