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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O TEMPO DOS CORONÉIS

A História do Brasil nos legou uma página política que está na memória escrita da cultura brasileira, conhecida como coronelismo, período que foi de 1889 (Proclamação da República) a 1930 (início da era Vargas). Naquele tempo os coronéis eram os chefes regionais que comandavam e decidiam os rumos das eleições locais e regionais. Estes eram compostos por grandes proprietários de terra, comerciantes, religiosos, industriais e profissionais liberais, dentre outros.
 E entre os coronéis e os eleitores estavam os capangas (às vezes jagunços ou pistoleiros), que exerciam o controle através do "voto de cabresto". "Pois na República Velha, o sistema eleitoral era muito frágil e fácil de ser manipulado. Os coronéis compravam votos para seus candidatos ou trocavam votos por bens matérias (pares de sapatos, óculos, alimentos, etc). Como o voto era aberto, os coronéis mandavam capangas para os locais de votação, com objetivo de intimidar os eleitores e ganhar votos. As regiões controladas politicamente pelos coronéis eram conhecidas como currais eleitorais"¹.
Os municípios eram então chamados de "currais eleitorais". O curral é o lugar onde o gado ou a manada fica confinada nas fazendas ou propriedades rurais. De modo que, em sentido figurado, os eleitores eram considerados o gado ou a manada de burros. Por isso se dizia que o voto era o "voto de cabresto", pois os eleitores eram obrigados a votar nos candidatos apoiados ou indicados pelo coronel aos cargos políticos ou para o próprio coronel. Cabresto é o acesório usado na cabeça dos animais de montaria ou para controle dos animais... 
Passados quase 100 anos ainda persistem algumas práticas herdadas da cultura coronelista, caciquista, caudilhista..., como o voto sob pressão, o voto de cabresto, o curral eleitoral, a corrupção eleitoral, as vendas e compras de votos, o abuso do poderio econômico, o tráfico de influência, os cargos de confiança ou comissionados. O "coroné" ou os coronéis e os capangas atualmente têm outras caras, mas continuam existindo e agindo entre nós, indo inclusive na calada da noite até as casas dos pobres entregar cestas básicas para comprar seus votos! Inda bem que existem pobres, necessitados, que têm dignidade e amor próprio e não estão a venda uma vez a cada dois anos!
De outro modo o sistema está montado, através da mídia, para que o Povo seja crédulo no que ela diz, de forma acrítica, de modo que ele creia em tudo e do jeito que ela apresenta a realidade, ora como o caos, a bagunça, a desordem, diante da qual não se pode fazer nada. Outras vezes a mídia dá seu receituário pronto para que o Povo tome e resolva todos os seus problemas, através de seu pacote terapêutico fechado. Aliás, a própria Educação tem servido para a perpetuação deste quadro de desgraça política e social. Enquanto historiadores e cientistas sociais temos que despender um esforço hercúleo para fazer o 'contra pêlo da história', para ajudar o Povo derrubar o véu que encobre a realidade nua, crua e cruel!!!
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Fonte: