terça-feira, 3 de março de 2026

VENENO - GLIFOSATO


Temos que exigir o banimento do glifosato’, diz pesquisadora Larissa Bombardi após despublicação de artigo que atestava segurança do agrotóxico'


Texto usado como referência por agências regulatórias foi retirado após revelação de participação de cientistas da Monsanto

A especialista em agrotóxicos, Larissa Bombardi, defede o banimento do uso de glifosato no Brasil
A especialista em agrotóxicos, Larissa Bombardi, defede o banimento do uso de glifosato no Brasil | Crédito: Pablo Valadares /Câmara dos Deputados

Um artigo divulgado no ano 2000, que atestava a segurança do uso do glifosato, agrotóxico mais usado no mundo, foi oficialmente despublicado 25 anos depois pela revista científica Regulatory Toxicology and Pharmacology

Entre as motivações para a retirada do texto da publicação estadunidense estão as revelações de conflitos de interesse e violações éticas no desenvolvimento do artigo, já que tornou-se pública a informação de que cientistas da Monsanto, a companhia que desenvolveu o produto, participaram de forma velada da escrita do estudo.

Em entrevista ao Conversa Bem Viver, Larissa Bombardi, pós-doutora em Geografia Humana e autora do livro Agrotóxicos e Colonialismo Químico, aponta que o caso do estudo sobre o glifosato não é isolado. Ela destaca que a participação de pessoas ligadas à indústria química, de forma secreta, no desenvolvimento de estudos científicos sobre agrotóxicos é algo recorrente. 

Bombardi avalia que casos como este são escandalosos, considerando que agências regulatórias por todo o mundo, assim como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil, se utilizam desses estudos para validar ou não o uso da substância, por isso mesmo a cientista defende o banimento do glifosato.


A especialista em agrotóxicos comenta ainda que tanto os trabalhadores rurais no Brasil, como populações indígenas, estão hoje cronicamente expostos a diversos agrotóxicos que, comprovadamente, são substâncias cancerígenas e revela que a utilização de drones na pulverização dos pesticidas agrava ainda mais a realidade no país. 

Confira a entrevista na íntegra

Brasil de Fato: Larissa, quero que você nos ajude a entender o impacto que significa um estudo ser despublicado depois de 25 anos. Isso é normal?

Larissa Bombardi: Bem, primeiro que não é normal que isso seja publicado. Não é normal, mas é corriqueiro.  Tem um termo em inglês para definir esse tipo de artigo científico, científico entre aspas. E o termo em inglês é ghostwriter, quer dizer, escritores fantasmas. 

Por que esse artigo foi despublicado? Porque se descobriu, em 2017, nem tão recentemente, há quase 10 anos, portanto, que os escritores desse artigo, que são todos professores de universidades, Gary Williams, Robert Kroes e Ian Munro, um é americano, o outro é canadense e o outro é holandês e descobrimos que eles receberam financiamento da Monsanto para poder escrever esse artigo, não de forma direta, mas indireta. E que os funcionários da Monsanto estruturaram o artigo e que forneceram os dados que seriam utilizados nesse artigo.

Por que que eu estou falando de Monsanto? Porque a Monsanto foi a empresa que patenteou o glifosato. O glifosato é o agrotóxico mais utilizado no Brasil. É um herbicida que as pessoas popularmente chamam de mata-mato. Então, quando a gente ouve falar em mata-mato, a gente tá falando dessa substância química que é o glifosato. 

O escândalo já está na maneira como os agrotóxicos são registrados. Quem é que providencia um relatório para avaliar o risco de uma substância? A própria empresa. Eu vou repetir isso de outra forma porque parece uma maluquice, mas é o seguinte: quando um agrotóxico vai ser registrado, quem fornece os relatórios indicando que essa substância não é cancerígena ou não provoca má formação fetal, ou não provoca desregulação endócrina, que não provoca tais males à saúde, é a própria indústria que vai registrá-lo. É como se fosse a raposa cuidando do galinheiro. Eu acho que essa é a melhor expressão para definir isso. 

Obviamente que depois outros cientistas também antes e depois vão fazer outras pesquisas avaliando os efeitos dessas substâncias e os riscos, mas esse artigo, que foi publicado numa revista chamada Regulatory Toxicology and Pharmacology, em 2000, ele foi todo orientado, todo estruturado nos interesses da Monsanto. E por que esse artigo foi tão importante? Porque ele fez parte de uma estratégia que a gente chama de consolidação de narrativa, construiu uma narrativa de que o glifosato apresentaria baixo risco para a saúde humana em condições de uso normais, entre aspas. E quando a gente fala de um artigo de revisão, a gente está falando de um artigo que revisa a literatura, quer dizer, é um artigo que compila as informações que já estão disponíveis sobre determinado assunto.

E quando uma agência governamental vai fazer uma regulação, normalmente esses artigos de revisão são muito utilizados. Porque eles são curtos e supostamente trazem um consenso científico, e isso agiliza a tomada de decisão.

Como é um artigo que foi publicado numa revista que foi avaliada por pares, avaliada por outros cientistas, isso supostamente dá uma garantia de que não tem conflito de interesses. E o que começa a acontecer também é que outros artigos científicos passam a ter esse como referência, passam a citá-lo. Então, ele constrói justamente essa ideia de consenso, entende? E isso é muito temerário, porque, no fim das contas, quem estava construindo essa narrativa, era a própria indústria.

Frente a isso, a gente pode esperar que tenha uma nova revisão por parte da Anvisa, talvez uma mudança nas regras de uso do glifosato, principalmente na proibição, enfim, o que a gente pode esperar a partir de agora?

Eu acho que a gente tem que exigir isso. No mínimo, a gente tem que exigir o banimento do glifosato. Obviamente que não são caminhos fáceis, porque não é uma substância que foi banida, por exemplo, na União Europeia, mas ela foi severamente restringida na União Europeia, na última revisão que foi feita em 2022 e há toda uma mobilização da sociedade civil na União Europeia que argumenta que essa decisão foi inconstitucional, essa decisão de renovar a autorização do glifosato e isso está em julgamento 

E o escândalo do glifosato vai muito longe. Um pesquisador chamado Gilles-Eric Séralini usou exatamente a mesma metodologia da Monsanto para provar que o glifosato não era cancerígeno, um estudo com ratos e ele provou que sim [era cancerígeno]. A diferença é que ao invés de acompanhar os ratos por três meses, ele acompanhou por dois anos e mostrou o aumento do desenvolvimento de câncer e de outros tumores nos ratos quando observados por mais tempo. Ele foi perseguido, o artigo dele foi despublicado, mas ao fim foi republicado. 

E ele faz parte parte de um grupo, que eu também faço parte hoje, que se chama Ensser, que é uma rede de pesquisadores europeus comprometidos social e ambientalmente. Essa rede teve um papel forte no sentido de denunciar, primeiro, o escândalo que é a maneira como os agrotóxicos são registrados no mundo e, segundo, de denunciar o enorme conflito de interesses. E como a Ensser, outras entidades também também tiveram esse papel.

É muito bem-vinda essa despublicação. Obviamente que um estrago gigante já foi feito, porque não só a Anvisa, mas outras agências de regulação ao redor do mundo tomaram esse artigo como ferramenta para entendimento regulatório. Como diria um professor muito querido, Carlos Walter Porto Gonçalves, que era professor da Universidade Federal Fluminense, e faleceu há pouco tempo: “Olha, não por acaso a gente chama o papa da matemática, o papa da biologia, o papa disso, o papa daquilo, porque a ciência, ela tem essa voz de verdade, como a igreja tinha na Idade Média”.

É de fato um escárnio, porque o que faz com que a sociedade, com que a população, acredite no que é confiável, o que não é confiável, é a palavra dos cientistas, Então, quando algo desse porte acontece, quantas milhares de pessoas não se intoxicaram e tantas outras que desenvolveram doenças e tantas outras morreram por causa de algo como assim. É um castelo de areia que se desmancha frente aos nossos olhos.

É fundamental que a Anvisa tome um posicionamento. Eu espero que o governo caminhe nesse sentido. Quando algo que era estruturante no marco regulatório de tantos países se desmancha, é a hora de olhar para aquilo que a gente regulou.

Na sua publicação agrotóxicos e colonialismo químico, você explica muito bem como funciona essa lógica dos agrotóxicos. Eles são produzidos na Europa, por lá eles são proibidos, mas são vendidos para o Brasil e para a América Latina. Resumidamente, dos 10 agrotóxicos mais vendidos no Brasil, cinco são proibidos na União Europeia. Neste sentido, o glifosato é um caso isolado ou daqui a pouco a gente vai perceber que são vários os agrotóxicos que têm esse estudo completamente fraudulento?

Não é um caso isolado. Há essa conexão direta entre a indústria e aquilo que vai ser publicado em revistas científicas. Então, essa expressão de escritor fantasma [um escritor do artigo ligado à indústria e que o nome não aparece no artigo] não vem só do glifosato, é uma recorrência.

Nos anos 70, houve escândalos enormes relacionados justamente à indústria química. Por exemplo, estudos com animais, onde o animal que ficou doente ou foi afetado era substituído e isso não aparecia nos relatórios. Disso passou-se a utilizar globalmente um protocolo que se chama de boas práticas laboratoriais. De acordo com isso, é possível rastrear os estudos que foram feitos pela indústria, o que poderia parecer positivo. Contudo, o que acontece é que as próprias agências governamentais, não têm recurso para fazer isso, para fazer essas avaliações e reavaliações. E as universidades públicas também não têm, onde supostamente deveria estar o lugar da isenção de interesses. Então, quem promove esses estudos são as indústrias. 

E o que que acaba acontecendo, é que  o acefato, por exemplo, que é uma das substâncias que tá na lista dos cinco maiores vendidos no Brasil, como você comentou, proibido na União Europeia há 20 anos. É uma substância que é neurotóxica. A Atrazina, que também é proibida na União Europeia há 20 anos, é autorizada no Brasil. Ela, além de tudo, é cancerígena. 

E o que acaba acontecendo, é que a  gente não sabe, de fato, quando a gente tem mais de uma dessas substâncias juntas, o que que pode acontecer. Nenhum desses estudos avalia a combinação de mais do que uma substância. Eles são voltados para o registro de uma substância única, como se fosse se possível isolar, como se, na realidade, a gente estivesse exposto a uma só substância. E a gente sabe que não, tanto que a gente usa a expressão coquetel, muitas vezes.

Quando a gente fala de resíduo de agrotóxico na água, de que em tal amostra foi encontrado esse resíduo de agrotóxico, a gente fala: “Tem um coquetel”. E, efetivamente, a gente não sabe o que acontece quando mais do que um agrotóxico é encontrado num mesmo alimento ou na água. E isso é muito grave. 

A gente carece muito de estudos que consigam minimamente diagnosticar qual é a situação. Mas o Brasil está conseguindo avançar com estudos que minimamente conseguem dimensionar onde esses agrotóxicos estão presentes e aqui eu me refiro ao Idec, o Instituto de Defesa do Consumidor. Em um dos mais recentes, eles analisaram 70 ultraprocessados e metade, 35, tinha presença de glifosato e esses produtos estão na nossa alimentação, mas sem dúvida os maiores prejudicados são os trabalhadores e trabalhadoras rurais que têm contato direto com essa substância. Neste sentido, o que a gente pode falar sobre os efeitos tanto para o consumidor de alimentos quanto para os agricultores?

Importante que você trouxe esse elemento, pelo seguinte: outro problema grave nesses estudos é a falta de verificação do que acontece na exposição a pequenas doses. Tem toda uma linha de estudos que indica que, muitas vezes, em pequeníssimas doses, inclusive, pode ser mais grave, porque o nosso corpo não reconhece imediatamente como um risco. Então, a população como um todo tá muito exposta. Acho que isso é muito grave. Esse trabalho que o Idec fez que você mencionou é maravilhoso, porque ele justamente desmistifica essa ideia de que o agrotóxico ele tá nas frutas, verduras e legumes apenas. Porque, como o monitoramento que existe no Brasil, que é minúsculo, ele é majoritariamente feito sobre alimentos frescos, isso dá a população a ideia de que então os produtos industrializados não estão na lista dos mais envenenados. O Idec trazer a luz isso é de uma importância tremenda.

Agora, obviamente que a população está exposta, e a mais exposta a essas substâncias são os trabalhadores rurais, os camponeses, e a população indígena que vive próxima a áreas com com uso intensivo de agrotóxicos, porque eles estão recebendo isso na pele, eles estão respirando essas substâncias, não é ingerindo os resíduos. 

Os escândalos no Brasil só crescem. O mais recente é o uso de drones para pulverização aérea que está trazendo enormes danos. A população rural no Brasil está cronicamente exposta a essas substâncias. E estar cronicamente exposto a substâncias que são cancerígenas ou que provocam desregulação hormonal, é justamente saber que no futuro próximo doenças serão desenvolvidas.

Inclusive, quando a gente fala de malformação fetal, não é só a mãe exposta que pode gerar um bebê que porta malformação fetal. A exposição do pai, meses antes da concepção, pode gerar efeitos em crianças que tenham malformação congênita. E é  um problema gravíssimo. E, pelos estudos que a gente já tem no Brasil, sabemos que as áreas em que mais se utiliza agrotóxico são aquelas em que há maior prevalência de câncer, em alguns casos, o dobro da média nacional e também de malformação fetal.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

DEUS, MISERICÓRDIA!

 


E eu aqui neste cantinho do Universo, um grão de pó cósmico, limitado, finito, observando o que se tornou o "seguimento" a Cristo,  o Jesus de Nazaré, observando o "cristianismo" e os "cristãos". Em um momento é  doutrina, em outro é  moralismo, em mais outro é  ritualismo, noutro é performance festiva e dançante, tem também campanhas por arrecadar dinheiro (dizimos e doações), ou ainda manifestação de fé (confissão) aparentemente correta... Mas tudo vazio, verniz, fachada, hipocrisia, aparência que afaga as consciências sem, no entanto, mudar absolutamente nada. Daí a inutilidade e perdição dos pretensos "líderes" que agem com base em tradições ou modismos, correntes,  bem distantes da essência de Jesus e do seu Evangelho. Daí vem à memória a afirmação do profeta: "O meu povo é destruído por falta de conhecimento" (Oséias 4:6 NVI). Ou aquele outro que registrou: "Eu odeio e desprezo as suas festas religiosas; não suporto as suas assembléias solenes. Mesmo que vocês me tragam holocaustos e ofertas de cereal, isso não me agradará. Mesmo que me tragam as melhores ofertas de comunhão, não darei a menor atenção a elas. Afastem de mim o som das suas canções e a música das suas liras. Em vez disso, corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene!" (Amós 5:21-24). E lembro outra citação:  "Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim" (Mateus 15:8). Pronto! Está desenhado!

CRÉDITO DA IMAGEM: https://www.facebook.com/share/1Gbf54wk4p/


sábado, 31 de janeiro de 2026

ATUALIZAÇÃO DO SALMO 23 NA PERSPECTIVA DA NOVA ALIANÇA (ou Neotestamentária)¹

 


1 O Senhor Jesus é o nosso pastor;  e ele não nos faltará.

2 Ele nos faz repousar em pastagens verdejantes  e nos conduz a águas tranquilas;

3 restaura-nos o vigor.  Guia-nos pelas veredas da justiça  por amor do seu nome.

4 Mesmo que nós andemos por um vale de densas trevas,  não temeremos perigo algum,  pois tu estás conosco;  a tua vara e o teu cajado  nos confortam.

5 Prepara um banquete diante de nós na presença dos nossos inimigos.  Unge as nossas cabeças com óleo,  e os nossos cálices transbordam.

6 Certamente a bondade e o amor leal nos seguirão  todos os dias das nossas vidas,  e seremos a casa do Senhor para sempre.


(SBA - Base de rfc. Mt 6.9-13; 11.28-30; 28.20; Jo 10.1-18; 14.23).

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¹-Se em Jesus Cristo o Pai e o pão são nossos, então tudo é nosso, é  da comunidade da fé, da coletividade dos seus seguidores.

Imagem/fonte: https://br.freepik.com/fotos-premium/agricultor-pastoreando-rebanho-de-ovelhas-em-vasta-pastagem-verde-generativa-ia_56400858.htm?log-in=google

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

CAPINA E DETALHES IGNORADOS NO COTIDIANO

 Fomos fazer a capina no pátio de uma amiga, em Guarapuava. E algumas lições realizamos sobre aquela realidade. A primeira lição foi sobre as espécies de vegetais presentes naquele local. Encontramos uma diversidade de plantas, como fitoterápicas, alimentícias, PANCs, ornamentais e indicadoras. Neste bioma não encontramos nenhuma "erva daninha", inço ou pragas!



Lá  havia abobreiras, azedinha (acaulescentes e rasteira), amendoim-forrageiro, beldroega, caruru, dente-de-leão, erva-de-santa-luzia, espinafre, guaxuma, leiteira, papuã, quebra-pedra (arbustiva e rasteira), suspiro, tansagem, tiririca, trapoeraba (marianinha), picão preto, serralha, dentre outras. 













Outra lição foi sobre a importância de utilizar as plantas capinadas como cobertura (mulching) proteção do solo contra o impacto da chuva, a queima do sol (controle da temperatura), a conservação da umidade, a adubação e fertilização do solo, impede o crescimento de ervas invasoras, controle de pragas,  redução de custos, proteção contra a erosão, dentre outros benefícios. 

E finalmente destacamos a lição de que, caso não haja como utilizar como cobertura,  é viável transformar o material de capina em adubo fazendo compostagem. 

Portanto,  são leituras simples que a Natureza nos oferece e que, em grande medida, são ignoradas por nosso desconhecimento sobre a complexidade do chão que pisamos.


quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

HOJE MEU PENSAMENTO É PARA VOCÊ!

 


Amada Evelyn!

Nada que eu rabisque para prestar-te homenagem no dia do teu Natal vai açambarcar todas as diversas dimensões da Vida e o exato lugar que nela você ocupa e no qual você desempenha o teu papel no teatro da existência.

Por um lado há o caráter da provisoriedade  terrenal, que o Infinito nos proporcionou. São dias de desafios,  por vezes incertezas, desalentos, um sobe-desce, vence, canta, rí, chora, supera, conquista, constrói, celebra! Em um lugar de sonhos , quiçá de ilusão,  mistério,  expectativa... São tantas circunstâncias! Algumas lindas, maravilhosas,  mas todas nos desafiam a nos colocarmos em nosso lugar,  a estar juntos sinergicamente, empaticamente, solidariamente com nossa Família,  com nossos Amigos, com a Humanidade,  no Mundo.  Sim, no  Mundo tão vasto, diverso, complexo, por vezes tão complicado e paradoxal, porque "feito" por seres tão especiais, mas às vezes tão inconscientes, egoístas, perdidos... e que põem tudo a perder como autodestrutivos e destruidores, parasitas. 

E é num cantinho deste Mundo que a Eterna Consciência te colocou com inteligência, fazendo parte de "um nó de relações" ancestrais comulativas  ( Jung/Boff) , com capacidade de criação,  com determinação,  com esperança... para dar o teu melhor e contribuir na transformação dos teus pares, das suas consciências do seus .usarem no grande Cosmo,  a começar por este ponto finito do Universo denominado Terra...

E nesta peregrinação terrenal você é convidada a planejar,  laborar... e viver intensamente integrada com a Humanidade, lembrando também da fugacidade e transitoriedade que caracterizam a existência nesta dimensão do Ser (substantivo, adjetivo e verbo),  até que a Energia quenos compõe seja alçada a outros patamares (que podem nos parecer mistério).

Pra além destes alinhavos que apontei... quero te desejar que o Eterno te abrace sempre com o seu Amor, com a sua Graça,  com a sua Justiça,  com a sua Paz, com o seu Cristo, juntamentecom tudo e com tod@s que te são car@s.

Te amo filha! Feliz Aniversário! 

☆SergioBucco☆

Referência bibliográfica: 

BOFF, Leonardo, in Jesus Cristo Libertador,  Petrópolis: Vozes, 1976.



domingo, 14 de dezembro de 2025

O TEMPO NO HOSPITAL

          Quando estamos no hospital 🏥 como paciente ou acompanhante (que é o meu caso hj) fazemos algumas leituras da realidade científica e social... Mas primeiramente quero dizer que fomos muito bem atendidos, especialmente a Mãe, que não estava bem. Na recepção estava uma ex aluna, já  formada Médica,  mas em processo de validação. Na triagem estava outra ex aluna que, se bem me recordo, é  Técnica de Enfermagem e continua os estudos para ser Enfermeira. Nos outros atendimentos mais adentro do hospital estavam meninas desvelado em suas funções de atendimentos às/aos pacientes. Acompanhando minha Mãe no quarto ganhei até uma sobremesa  deliciosa (uma espécie de creme); só não comi a sopa porque quando saimos (em torno das 18h30min.) ainda não tinha chegado, mas estava a caminho.  O médico,  Dr Adão Viana, é uma simpatia e atenção em pessoa! O problema foram as horas que passamos até que fosse possível ele nos atender.

          A Medicina está dividida em modalidades, como "preventiva (foco na prevenção de doenças), curativa (foco na cura e tratamento de doenças já existentes) e paliativa (foco na qualidade de vida e alívio do sofrimento em doenças que ameaçam a vida)" (IA). Comumente tem mais peso no processo a medicina curativa.

          Do lado dos pacientes vemos de tudo, desde a classe média,  pobres, miseráveis; pessoas com pouco esclarecimento sobre cuidados e prevenções, algumas totalmente dependentes da abordagem e direcionamento dos médicos, assim como necessitadas do serviçopúblicode saúde. 

          Quanto à estrutura hospitalar é excelente para a demanda local imediata, mas carente de profissionais médicos (neste caso de fim de semana) com apenas um médico para atender dezenas pessoas incluindo emergência e pacientes regulares. É desumano sobrecarregar profissionais da Saúde, que precisam atender todos os tipos de pessoas e seus miasmas. Excesso de Trabalho para uma pessoa afeta a qualidade do atendimento.  Afinal, são seres humanos com múltiplas e diferentes necessidades,  algumas muito complexas. Teve a espera de quase quatro horas para sermos atendidos pelo médico. "Às vezes ainda faltam medicamentos..." (Depoimento). Este é o quadro de hoje no Hospital Santa Clara, em Candói.   

         Entrei em contato com a Secretária Municipal de Saúde,  a Sandra Santos, que providencialmente precisou ir ao hospital "resolver uma situação" e foi possível adiantarmos uma conversa que ficaria para a semana. Disse que o Hospital,  a Secretaria de Saúde,  os demais municípios da Região e a Regional da Saúde estariam reunidos para discutir e buscar melhorias na área. Vamos aguardar e continuar a comunicação. Falei que estariamos conversando com as diversas instâncias relativas aos serviços de saúde e utilizaríamos as redes digitais para falar da situação positiva e dos aspectos que precisam urgentemente serem superados.                            ~☆SergioBucco☆~

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

PASSATEMPOS ou HOBBY ou COMPROMISSO

 


As pessoas costumam escolher uma atividade pela qual dedicar-se, envolver-se, ou simplesmente passar tempo (quando não apenas perder tempo) ou para construir algo em funçãodo Bem Comum. 

Assim,  algumas vão diariamente à floresta ou à praça, ao parque contemplar,  encontrar-se, movimenta-se  ou refletir. Outras vão ao bar tomar umas..., jogar cartas. Outras vão aos jogos de bocha, futebol, vôlei... Outras vão às atividades da igreja. Outras vão a diferentes eventos...

Outras pessoas se encontram para conversar, fofocar ou discutir questões pertinentes à Família,  à Comunidade...

DA MINHA PARTE, talvez eu faça algumas destas acima esporadicamente. E, vez ou outra, participo de Eventos dos Movimentos Populares, quando consigo reviver minimamente a convivência com pessoas (depois de mais de 40 anos convivendo e construindo na Educação através da Escola), pessoas que pensam, planejam e buscam agir no meio onde estão com vistas à construção de um mundo melhor, mais humano, fraterno, justo, pacífico... 

São nestes Eventos que avalio o quanto estou vivo para agir a partir do microcosmo onde estamos situados e de onde buscamos nos articular com outros pares. 

Partindo destes Encontros é que consigo avaliar, definir e resistir: 

Socialmente (quem é quem em nossa Aldeia,  como vivem, o que sonham, o que realizam, o que precisa ser superado); 

Politicamente (prá alem das instituições partidárias, governamentais, mas a partir fas Associações,  Movimentos, Campanhas beneficentes...); 

Economicamente (como vive o nosso meio, como se organiza para produzir e atender àscondições objetivas para viver com dignidade...); 

Culturalmente (a formação dos entes que compõem aquela sociedade, as instituições de ensino local e regional,  as atividades artísticas e de lazer, a ações da espiritualidade [eventos religiosos institucionais ou não]...); 

Ambientalmente (como está nosso meio geográfico,  as ações humanas no seu meio e as transformações, os problemas, a saúde mental/emocional/fisíca fas pessoas e do ambiente...). 

É deste modo que consigo avaliar o quanto estou vivo e como posso ser útil em Casa, na Comunidade e no País.

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

ISRAEL, A INDÚSTRIA DA MORTE

 

 


           Eu, sim, euzinho, não compactuo com terrorismo!  Mas pra além das narrativas da imprensa comercial ocidental, comprada pelo sionismo, entendo o Hamas e outros grupos ditos "terroristas", como por longo tempo o foi a OLP, como reação e resistência extrema às diferentes ações do imperialismo capitalista (que poderia ser """socialista""") sobre seus territórios,  povos e recursos naturais (riquezas). 
           Destaco a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) que resistiu por décadas ao processo genocida de Israel até que, mediados pelos EUA, fizeram "acordos de paz" (Oslo, 1993-95) entre governos de Israel e representantes do Povo Palestino. O que paulatinamente fez com que fossem perdendo perdendo totalmente a possibilidade de soberania e existência. 



           Afinal, até hoje já se passaram 77 anos do processo de invasão dos descendentes judeus ao território palestino. E "a cada ação uma reação" (Newton): invasão, expulsão, desterro, extermínio, genocídio! E aqueles que têm poder de influência  e ação no mundo, e que poderiam por um fim neste barbarismo,  apenas fazem teatro inútil. Enquanto que estudos dão conta de que em apenas dois anos as mortes entre os palestinos podem passar de 400 mil pessoas. 

           Ao mesmo tempo que acontece este genocídio (e posteriormente),  Israel e seus parceiros bélicos vendem (e/ou venderão) armas de extermínio com o rótulo de "testadas em combate", mas lembrando que foi a guerra de um só lado, pois o Povo Palestino só conta com o corpo  e a vontade ferrenha de viver! Não se pode afirmar que foi uma guerra, porque enquanto palestinos contam apenas coma cara e a coragem, Israel conta com as mais avançadas tecnologias de destruição de massa, controla o maior campo de concentração a céu aberto do mundo e utiliza ainda como arma de guerra a fome, ou seja, o controle total do alimento que chega nos limites do seu território,  via ONU. Por sua vez a ONU se mostra um organismo internacional sem poder de decisão ou controlado por interesses predominantes do imperialismo capitalista mundial. 

           No que me compete de responsabilidade enquanto ser humano e cidadão do Reino de Deus, além dos esperneios na rede mundial de computadores, diuturnamente, levo esta questão em oração a Deus. 

         "O Senhor Jesus é o nosso Pastor, e ele não nos faltará" (Sl 23.1 VN). "Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus" (Mt 5.9). "Derrubou governantes dos seus tronos, mas exaltou os humildes" (Lc 1.52).

          A partir desta base Neotestamentária clamamos pela salvação  do Povo Palestino (Gaza e Cisjordânia), ora sendo massacrado pelo exército sionista, entreposto  do capital imperialista euroestadunidense. SB


quinta-feira, 3 de julho de 2025

ELE NÃO PODE NADA!



Não pode governar. 

Não pode ir ao STF. 

Não pode falar na TV. 

Não pode criticar o Congresso.

Não pode peitar a oposição. 

Não pode agitar a militância.

Não pode romper, nem conciliar. 

Não pode taxar rico. 

Não pode poupar pobre. 

Não pode isentar o trabalhador. 

Não pode ampliar benefício. 

Não pode tirar renúncia fiscal. 

Não pode cobrar o mercado. 

Não pode regular a mídia.

Nem as bets.

Nem as redes. 


Não pode viajar, nem circular. 

Não pode ser soberano. 

Não pode condenar genocídio. 

Não pode querer paz. 

Não pode propor, nem recusar. 

Não pode ser solidário.

Nem sentir. 

Nem chorar.


Não pode politizar. 

Não pode costurar. 

Não pode se reeleger. 

Não pode nem tentar. 


A elite tudo critica, reprova, censura, proíbe, contesta tudo que se refere a Lula


A ele tudo se nega, desde sempre. 

Não pode agir, nem escolher, nem decidir, nem amar, nem sonhar.


O ideal, para essa elite, seria ele não existir.

Ainda bem que isso é impossível.


(Tiago Barbosa)

 

terça-feira, 1 de julho de 2025

QUE CRISTIANISMO? II


Na condição de divorciado falo a partir da própria experiência. As assembleias cristãs, ou as instituições eclesiais, têm diferentes posturas quanto ao trato com pessoas que passaram por separação e divórcio. 

Cada caso é um caso. Não há um contexto padrão que leva um casal à separação. Pode haver desde uma incompatibilidade quanto ao modo de ver e enfrentar o dia a dia da convivência e projeto de vida; há casos que por alguma incongruência o casal viva, melhor, não viva minimamente a vida comum e compromisso mútuo; acontece por vezes que  uma família, com filhas/os pequenos, adolescentes... vivam um característico inferno, com grosserias, diferentes formas de violência, situações traumatizantes, há casos de fatores diversos, como  vícios, alcoolismo, dentre outros. E em todos estes contextos, uma vez que não se consiga o entendimenro e a superação, se chega à situação de divórcio. Obviamente que estamos nos referindo a casos pra além do nosso egoísmo, das relações como algo descartável ou simples afrouxamento das relações conjugais.

A institucionalidade cristã, como sinalizei ao início, em muitos casos é implacável e excludente. Uma vez que você é divorciada/o fica à margem das atividades congregacionais, rituais, como cultos, participação da comunhão (a ceia), ministração de mensagens, dentre outras atividades. Para isto as lideranças têm por base uma passagem em que, após os fariseus buscarem enredar Jesus, ao final da discussão, este condena o repúdio à mulher. A interpretação de alguns segmentos é de que para além do divórcio, havia o repúdio, que colocava a mulher numa condição de total vulnerabilidade, pois ela era jogada na "rua da amargura" sem qualquer direito. 

De minha parte, em que  se observe esta compreensão entre "divórcio" e "repúdio", eu escolho olhar para Jesus de Nazaré. Tenho como fundamento da minha posição a amorosidade, a compaixão e a  misericórdia de Deus reveladas em Jesus, o Bom Pastor (Jo 10.1-18). Eu não ficaria congregando à margem de uma comunidade na condição de um "cristão de quinta categoria". É claro que não sou nenhum luminar de virtudes e honra, nem melhor do que ninguém, mas do ponto de vista da espiritualidade crística, pra além das convenções excludentes e marginalizantes, sou profundamente grato a irmãs/ãos que escolheram o acolhimento com base na misericórdia divina. Amém!


domingo, 29 de junho de 2025

QUE "CRISTIANISMO"? IGREJA OU REINO DE DEUS? I


 

IGREJA OU REINO DE DEUS?
Pode ser que pessoas me julguem como bom de crítica e ruim de prática. Pode até ser, mas não sou isentão, não como na mão de ninguém e não sou gado... Estou no Caminho. Entretanto há tempos venho analisando como o espectro, o mundo, o contexto chamado cristão, de forma geral, na minha forma de expressar, se tornou apenas uma 'caricatura', um verniz, um arremedo daquilo que é o Mestre Jesus de Nazaré, daquilo que ele viveu e ensinou convivendo com seus discípulos e os seus doze apóstolos, andando pelas ruas e estradas poeirentas da Palestina. 

Parece que o seguimento, a vivência cristã, se resume em se reunir, prestar um culto a Deus, que muitas vezes dá a impressão que se destina a outras entidades ou a pessoas que estão diametralmente contra a essência das boas novas da revelação em Jesus. 

E este culto ou celebração... se realiza através de hinos, orações,  por vezes coletas (atualmente, em muitas assembleias, precedidas de uma "pregação" enfadonha e constrangedora; há tempos - ano 2016 - em uma destas assembleias eu já tinha feito a minha oferta, mas a insistência foi tão grande que me vi na obrigação de pegar o cartão de crédito e levar até a máquina, ao fundo da "igreja", e fazer mais uma oferta). A centralidade na coleta do dinheiro (bem como a questão do dízimo) se caracteriza pelo viés do capital, digo, a instituição eclesial procede da mesma forma que a burguesia faz com a classe trabalhadora, baseada na exploração sem dó nem piedade,  por vezes,  até o último recurso das pessoas, tendo como pressuposto uma espécie de barganha com o divino, do tipo "você  dá a Deus e ele te abençoa com a prosperidade." 

Na continuação do culto há o anúncio da Bíblia que, supostamente, é a Palavra de Deus. Digo supostamente porque se 'ensina' uma babilônia de coisas que estão equidistantes de tudo o que vem do Mestre de Nazaré. Além do mais, neste processo de distanciamento do original, durante a celebração, há um ritualismo vazio com o qual as pessoas (fiéis) se acostumam e acham que é normal (normose) e até essencial como testemunho da sua fé e como meio de agradar a Deus. 

Quanto ao mais, muitas congregações se caracterizam pelo exclusivismo, o puritanismo (seus membros são os melhores,  os únicos,  os santos!) como se não pudesse haver amizade com outras pessoas fora da 'minha bolha'. Sua postura é marcada pelo moralismo (para não dizer falso moralismo), enquanto questões candentes, como os necessitados da assembleia ou aqueles que estão ao redor dela, na comunidade, são simplesmente ignorados como se fossem naturalmente próprios da "paisagem". Seu jeito de se apresentar (roupas,  cabelo, alimentos) é condicionem sine qua non de que se é salvo ou não!

A igreja, a assembleia dos discípulos e discípulas de Jesus de Nazaré, que na compreensão dos estudiosos biblistas e da vida cristã, é o sinal e instrumento do Reino de Deus, ocupa a centralidade da organização,  do ensino, da doutrina, em prejuízo daquele do qual mal se faz referência ou se fala como algo distante, utópico... No entanto, apesar de o termo igreja ser citado apenas duas vezes por Jesus (Mateus 16 e 18), sobre o Reino de Deus ele fala cerca de 90 vezes ao logo dos Evangelhos. No entanto, com base nas falas de Jesus de Nazaré o Reino de Deus já está entre nós e ainda não (porque será completo ao final dos tempos, quando da manifestação de Jesus Cristo). Ele falou da sua primazia em nossa vida (Mt 6.33), que já está em nosso meio (Lc 17.21), que ele está próximo (Mc 1.15). E o apóstolo Paulo escreveu sobre suas características: "O Reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo" (Rm 14.17).

Pois bem, feita esta pequena análise de como percebo o chamado cristianismo, gostaria de fazer uma referência, dentre inúmeras com as quais tivemos acesso, a uma obra que, providencialmente,  veio ao nosso encontro na semana anterior, durante a Escola do MPA Sul (em Guarapuava). Vou fazer uma citação literal sem interpretações do original. Wolff em sua obra, ao trazer uma análise da concepção de cristianismo (utilizando-se do metodo de análise do velho barbudo) afirma sua oposição a:

"Um idealismo sem relação com o concreto; uma forma de alienação da realidade; compromisso em manter e defender a sociedade de classes vigente; alívio emocional e de culpa, através da caridade e da ritualização religiosa."¹

Pouco antes, ao tratar sobre a visão religiosa, diz Wolff: 

A fé bíblica é um elemento vivo, inserida nas lutas concretas dos explorados, expropriados e oprimidos ao longo da história por uma sociedade não classista, livre, igualitária,  de irmãos/irmãs. Portanto, ela se renova diante dos desafios concretos, incorporandonovos elementos e projetando novos caminhos do Projeto de Deus.²

Ao final desta referência, sem pretender "provar Mundos e fundos" com apenas um autor, vou encerrando provisoriamente esta matéria com a intenção de retornar e aprimorá-la com mais profundidade.

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¹. WOLFF, Güinter Adolf. O Projeto Político Revolucionário Global de Deus para a Humanidade. Florianópolis: Fedayin, 2023.

². Idem. P. 16.