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terça-feira, 1 de julho de 2025

QUE CRISTIANISMO? II


Na condição de divorciado falo a partir da própria experiência. As assembleias cristãs, ou as instituições eclesiais, têm diferentes posturas quanto ao trato com pessoas que passaram por separação e divórcio. 

Cada caso é um caso. Não há um contexto padrão que leva um casal à separação. Pode haver desde uma incompatibilidade quanto ao modo de ver e enfrentar o dia a dia da convivência e projeto de vida; há casos que por alguma incongruência o casal viva, melhor, não viva minimamente a vida comum e compromisso mútuo; acontece por vezes que  uma família, com filhas/os pequenos, adolescentes... vivam um característico inferno, com grosserias, diferentes formas de violência, situações traumatizantes, há casos de fatores diversos, como  vícios, alcoolismo, dentre outros. E em todos estes contextos, uma vez que não se consiga o entendimenro e a superação, se chega à situação de divórcio. Obviamente que estamos nos referindo a casos pra além do nosso egoísmo, das relações como algo descartável ou simples afrouxamento das relações conjugais.

A institucionalidade cristã, como sinalizei ao início, em muitos casos é implacável e excludente. Uma vez que você é divorciada/o fica à margem das atividades congregacionais, rituais, como cultos, participação da comunhão (a ceia), ministração de mensagens, dentre outras atividades. Para isto as lideranças têm por base uma passagem em que, após os fariseus buscarem enredar Jesus, ao final da discussão, este condena o repúdio à mulher. A interpretação de alguns segmentos é de que para além do divórcio, havia o repúdio, que colocava a mulher numa condição de total vulnerabilidade, pois ela era jogada na "rua da amargura" sem qualquer direito. 

De minha parte, em que  se observe esta compreensão entre "divórcio" e "repúdio", eu escolho olhar para Jesus de Nazaré. Tenho como fundamento da minha posição a amorosidade, a compaixão e a  misericórdia de Deus reveladas em Jesus, o Bom Pastor (Jo 10.1-18). Eu não ficaria congregando à margem de uma comunidade na condição de um "cristão de quinta categoria". É claro que não sou nenhum luminar de virtudes e honra, nem melhor do que ninguém, mas do ponto de vista da espiritualidade crística, pra além das convenções excludentes e marginalizantes, sou profundamente grato a irmãs/ãos que escolheram o acolhimento com base na misericórdia divina. Amém!


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

VISITA AO PROJETO ANJOS INOCENTES, DO PAI

 A  partir de uma visita ao amigo Sr Gercidi soube de um projeto que acolhe pessoa em estado de vulnerabiidade, oriundas de um núcleo residêncial próximo, cuja população é maior que a do Município de Candói. Pois bem, passados alguns dias, na quarta feira, após o meio dia, me impus a tarefa de encontrar o referido local, que depois de várias informações, consegui localizar. Fica de frente com a RPC, na sequência  de onde estão novo loteamento e condomínio... Finalme cheguei. Abriu-se o portão e fui recebido de forma muito simpática pelo Frei Alexandro, organizador do espaço e dirigente. A todo tempo passavam crianças e adolescentes, que vinham até ele, pediam a benção, educadamente me cumprimentavam e iam aos seus afazeres ou para casa. 

Ao longo da tarde discorremos sobre os mais diversos assuntos,  como sua História de Vida, a sua criação,  a vocação sacerdotal, sua formação na Ordem dos Mínimos, no Brasil  e na Itália, a sua experiência na recuperação de seres humanos dependentes químicos e de acolhimento de crianças em situação de vulnerabilidade. A nossa conversa foi muito amistosa. Discutimos bastante,  rimos um tanto e falei um pouco da minha trajetória de vida, a família, o seminário católico, a formação,  o Trabalho como Educador,  a caminhada de fé desde a igreja Católica e mais tarde no meio evangélico.

O Fr Alexandro me orientou que se fosse escrever alguma coisa sobre nosso primeiro encontro, não era para falar da pessoa dele, exceto "que é um louco". Eu diria que é  mesmo, um louco pelo exemplo de Amor e serviço  de Jesus de Nazaré!

Ao invés, pediu que falasse sobre a obra do PROJETO ANJOS INOCENTES. É uma  tarefa hercúlea,  com Oficinas de Reforço Escolar, Artesanato, Curso de Línguas,  de Música (sopro e cordas), Balé, Teatro, Esportes, Hapkido (defesa pessoal), Informática,  dentre outras atividades que estão projetadas para a sequência. De qualquer forma é  um projeto muito ousado, é gigante, com um potencial de expansão.  As crianças chegam de suas casas em dois turnos (M/T). Têm pelo menos três refeições servidas no refeitório de manhã e à tarde. Muitos aspectos me chamaram a atenção,  mas foco em alguns. As crianças vêem de uma comunidade distante cerca de um km. São marcadas pelos mais diversos problemas afetivos, familiares, físicos,  econômicos,  sociais, dentre tantos outros.  Mas você observa cada um, cada uma, e vê neles um grau de contentamento, de serenidade, de responsabilidade ímpares.  Ao final do seu turno todos têm tarefas de limpeza e organização nos locais utilizados durante as atividades. A casa tem bem poucos funcionários e conta na maioria das Oficinas que são realizadas com Trabalho Voluntário de instituições, Faculdades,  Universidades, dentre outras. Os recursos financeiros são oriundos de doações das mais diversas categorias de pessoas e instituições,  inclusive o magnífico terreno onde está o projeto,  de promoções como almoços,  jantares, dentre outros. O projeto não conta com absolutamente nenhum apoio político, nem tem compromissos com partidos políticos (seja de esquerda,  centro ou direita), não tem convênios com Governos Municipal,  Estadual e Federal. Em resumo, a casa se sustenta com o Amor providencial de Jesus e o apoio de pessoas humanas, generosas, solidárias que doam e se doam pessoalmente àquelas crianças com vistas a um mundo melhor e a construção do Reino de Deus.  

Agradecido,  Frei Alexandro Nunes, pelo tempo disponibilizado a mim para conhecer tão maravilhosa obra!

Sergio Bucco