A derrota do Brasil para a Noruega hoje foi mais do que esportiva. Foi pedagógica. - Por Leandro Dalalíbera Fonseca (doutor em teoria literária e mestre em ciência política).
Perder para um país que trata a educação como investimento, valoriza seus professores e entende que conhecimento é a base do desenvolvimento talvez seja um retrato mais fiel do nosso tempo do que gostaríamos de admitir.
Enquanto a Noruega remunera e prestigia aqueles que formam as próximas gerações, o Brasil segue fazendo o oposto: transforma professores em sobreviventes, trata a educação como despesa e reserva sua maior admiração para jogadores milionários, técnicos e celebridades do esporte.
Aqui, um professor precisa acumular jornadas para viver com dignidade. Um craque, por outro lado, é tratado como herói nacional antes mesmo do apito inicial.
Depois, quando o futebol decepciona, o país inteiro pergunta: "Como isso aconteceu?"
A resposta talvez esteja na sala de aula.
Nenhuma nação se torna grande idolatrando apenas quem faz gols e ignorando quem ensina a ler, pensar, criar e transformar a sociedade.
A derrota de hoje para a Noruega é simbólica. Ela expõe uma diferença de prioridades entre dois países: um investe em inteligência; o outro insiste em viver de glórias passadas.
E, infelizmente, enquanto continuarmos tratando professores como um custo e jogadores como patrimônio nacional, a história continuará se repetindo.
Como diria Marx: "Primeiro como farsa, depois como tragédia".

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