"Se eu soubesse que o Candói estava nesta situação não teria me candidatado a prefeito...". Parece até o início de um poema, mas é um lamento... Desde o início do ano temos ouvido falar, em particular e em público, esta frase por parte do executivo municipal. Pois bem, Candói em termos gerais não está nem um pouco pior do que estava antes (em seus mandatos e dos outros prefeitos). Execeto em alguns pontos fracos da administração anterior, a situação de Candói é das melhores. Pois agora tem uma significativa parcela da população (segmentos) que começou a ver como as coisas funcionam. Uma parte do povo consegue perceber o que é realidade, é fato, é progresso, e o que é markting, propaganda ou falácia. Uma parte das pessoas começaram a entender que democracia se faz não só com o voto (no dia das eleições), mas com consciência, com participação, como sujeitos do processo político, administrativo, histórico. Entendem que os eleitos não podem se dar ao capricho de tomar decisões pelo povo, impôr-lhes políticas, sem antes debater com ele, sem o seu entendimento e consentimento.
Em passado não muito distante (1995-2000) foram fechadas 54 escolas "rurais", em nome de uma "nuclearização do ensino", da "educação de qualidade". As comunidades ficaram sem a Educação e suas maiores referências que eram as escolas e as professoras. Muitas comunidades se esvasiaram de tal modo que praticamente desapareceram. E "alunos" foram trazidos para cidade de ônibus... E as escolas nuclearizadas ficaram parecendo campos de concentração, com 'alunos' quase subindo por cima de professores... Para falar sobre isto pesquisei durante minha Especialização em educação do Campo (2006-2008), quando entrevistei 20 lideranças de diferentes locais.
E logo depois (2001-2004) foi trazido um tal de "Colégio Bom Jesus" (educação privada, que se dizia "de primeiro mundo") para tomar conta da Educação Pública de Candói. Foi neste tempo que se desaprendeu a fazer Educação, pois se perdeu a autonomia, tudo vinha pronto de fora, inclusive as avaliações. Foi o tempo da Educação fora de contexto, fora da realidade, como me disse uma diretora de escola... E por um custo muito alto! E tudo isto foi feito com base em convencimento e na imposição, segundo dissseram as pessoas entrevistadas em seus depoimentos. Este material está publicado em Monografia pela UFPR, sob o título "O PROCESSO DE NUCLEARIZAÇÃO EM CANDÓI - SUA RELAÇÃO COM OS CONTEXTOS COMUNITÁRIOS E A EDUCAÇÃO DO CAMPO". (Veja artigo abaixo onde tem um resumo da pesquisa).
E logo depois (2001-2004) foi trazido um tal de "Colégio Bom Jesus" (educação privada, que se dizia "de primeiro mundo") para tomar conta da Educação Pública de Candói. Foi neste tempo que se desaprendeu a fazer Educação, pois se perdeu a autonomia, tudo vinha pronto de fora, inclusive as avaliações. Foi o tempo da Educação fora de contexto, fora da realidade, como me disse uma diretora de escola... E por um custo muito alto! E tudo isto foi feito com base em convencimento e na imposição, segundo dissseram as pessoas entrevistadas em seus depoimentos. Este material está publicado em Monografia pela UFPR, sob o título "O PROCESSO DE NUCLEARIZAÇÃO EM CANDÓI - SUA RELAÇÃO COM OS CONTEXTOS COMUNITÁRIOS E A EDUCAÇÃO DO CAMPO". (Veja artigo abaixo onde tem um resumo da pesquisa).
Então, não dá para reclamar, pois hoje o povo está exercendo a cidadania, está exigindo o que lhe é de direito, o que é bom e justo para todos. Está procurando fazer o debate, a discussão. Nota 10 para quem participa do processo! Os tempos, a realidade e o povo mudam! Já não são mais inocentes, ingênuos como a muito tempo passado! Isto é desenvolvimento. Não apenas quando se está cheio de recursos materiais... Mas quando se vê, se pensa, se discute, se está junto, nem sempre comungando das mesmas posições e da mesma ideologia.