segunda-feira, 6 de julho de 2026

O FATO DE O BRASIL PERDER A COPA...



A derrota do Brasil para a Noruega hoje foi mais do que esportiva. Foi pedagógica. - Por Leandro Dalalíbera Fonseca (doutor em teoria literária e mestre em ciência política).

 Perder para um país que trata a educação como investimento, valoriza seus professores e entende que conhecimento é a base do desenvolvimento talvez seja um retrato mais fiel do nosso tempo do que gostaríamos de admitir. 

Enquanto a Noruega remunera e prestigia aqueles que formam as próximas gerações, o Brasil segue fazendo o oposto: transforma professores em sobreviventes, trata a educação como despesa e reserva sua maior admiração para jogadores milionários, técnicos e celebridades do esporte. 

Aqui, um professor precisa acumular jornadas para viver com dignidade. Um craque, por outro lado, é tratado como herói nacional antes mesmo do apito inicial. 

Depois, quando o futebol decepciona, o país inteiro pergunta: "Como isso aconteceu?" 

A resposta talvez esteja na sala de aula.

Nenhuma nação se torna grande idolatrando apenas quem faz gols e ignorando quem ensina a ler, pensar, criar e transformar a sociedade. 

A derrota de hoje para a Noruega é simbólica. Ela expõe uma diferença de prioridades entre dois países: um investe em inteligência; o outro insiste em viver de glórias passadas. 

E, infelizmente, enquanto continuarmos tratando professores como um custo e jogadores como patrimônio nacional, a história continuará se repetindo. 

Como diria Marx: "Primeiro como farsa, depois como tragédia".