segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O Operário Em Construção

***  Vinicius de Moraes
E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás. Lucas, cap. V, vs. 5-8.

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.


Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.


Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!


Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.


Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.


E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.


E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:


Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.


E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.


Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.


Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!


Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.


Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.


Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!


– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.


E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.


Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

Pensamento de Karl Marx

"De cada um,
de acordo com suas habilidades,
a cada um,
de acordo com suas necessidades."

Ousadia

*** Karl Marx

É por isso que preciso de tudo ousar
Sem nunca ter descanso
Não fiquemos calados
Sem nos querermos realizar
Não nos submetamos
Silenciosos e crédulos
Ao jugo humilhante
Pois que nos restam o desejo e a paixão
Pois que nos resta a ação.

PRIVATIZADO

*** Bertold Brecht

Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário. E agora não

contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à

humanidade pertence.

Receita de ano novo

Carlos Drumond de Andrade


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)


Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Candói 2009: um ano passou! O que aconteceu de novo?

Boa pergunta!!!
Bla, bla, bla, bla, bla...
"Se não então vejamos!" (Railson)
"Tudo como dantes no quartel de Abrantes" (Provérbio português).
"O poder deixa-nos tal como somos e apenas engrandece os grandes" (Balzac , Honoré de).
"Os detentores do poder ficam tão ansiosos por estabelecer o mito da sua infalibilidade, que se esforçam ao máximo para ignorar a verdade" (Pasternak , Boris).
"O poder revela o homem" (Sófocles).
"Quase todos os homens são capazes de superar a adversidade, mas, se se quiser pôr à prova o carácter de um homem, dê-se-lhe poder" (Lincoln , Abraham).
"O poder não é prova suficiente da verdade" (Johnson , Samuel).
"Nem por crescer em poder chegará o falso a ser verdadeiro" (Tagore , Rabindranath).
"Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir" (Churchill , Winston).
"Enquanto estiveres vivo e em ti houver alento, não te abandones ao poder de quem quer que seja" (Eclesiástico 33,22).
"O poder só pode agradar aos tolos ou aos predestinados. Os tolos desejam-no pelas vantagens que dele esperam. Os predestinados gozam-no pelo que para eles representa" (Salazar , António).
"O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado" (Einstein , Albert).
"Nenhum governo pode ser sólido por muito tempo se não tiver uma oposição temível" (Disraeli , Benjamin).
"Quando um homem assume uma função pública, deve considerar-se propriedade do público" (Jefferson , Thomas).
"Se os comunistas têm razão, então eu sou o louco mais solitário em vida. Se eles estão errados, então não há esperança para o mundo" (Sartre , Jean-Paul).
"Odeio o privilégio e o monopólio. Para mim, tudo o que não pode ser dividido com as multidões é tabu" (Gandhi , Mohandas).
"O segredo do demagogo é de se fazer passar por tão estúpido quanto a sua plateia, para que esta imagine ser tão esperta quanto ele" (Kraus , Karl).
“Conversa clara, leal e franca com o povo. Não gosta? Delete (do Twitter) ou procure FHC, Beto Richa, Mirian Leitão, por aí…” (Roberto Requião, governador do Paraná).

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

BIG BROTHER CANDÓI - BBC - "Olhos e ouvidos do rei"

Agora (desde os últimos meses de 2009) Candói conta com algumas câmeras potentes que estão de olho sobre a vida de quem anda pela cidade de Candói. Um determinado 'professor' que tem acesso a informações (privilegiadas?) levou uma demonstração para o Colégio (CESTAC), quando mostrou aos colegas. Segundo informou somente a Polícia Militar do Paraná (Destacamento de Candói) terá acesso às gravações ou vídeos. É mesmo?!?
Certamente nas próximas eleições nenhum político terá surpresa de ver material (com informações tiradas da internet, da Receita Federal) distribuído aos eleitores, sem saber a fonte ou quem andou distribuindo... Bem, se é da Receita Federal, então já é público!
Ah, foi anunciado também a instalação de internet gratuíta. Primeiro disponível aos professores e em seguida a toda a população. Hum, a partir desta internet os acessos ou material da população poderão ser rastreados também, a partir de uma central que poderá ter o controle sobre o que os cidadãos pesquisam ou sobre a origem de e-mails, etc.
Pode-se dizer que nas próximas eleições nenhum político deverá der supreendido com matérias (verdadeiras ou não, charges, denúncias) anônimas ou quase anônimas...
O atual Executivo se esmerou em trazer tecnologias de comunicação e democratizá-la para a população. (E de certo o Legislativo aprovou!). Aliás, por falar em Comunicação, o prefeito instalou até uma emissora de rádio comercial. Nós Povo (inteligente, esperto, crítico, sagaz, consciente...) esperamos que a rádio não seja um local de propagação de uma "verdade de mão única", sem que outros segmentos possam se manifestar, mostrar suas visões, seus lugares, o seu lado... E o BIG BROTHER CANDÓI foi instalado. Agora só falta grampear todos os telefones e colacar câmeras escondidas nas casas. E viva a Democracia!!!
Obs.: se pudéssemos confiar em todas as ações públicas advindas dos políticos, nossos empregados (mediante contrato e voto direto - eu não votei nele, mas sou cidadão de direito!)... nosssa reação poderia ser das melhores e poderíamos aplaudir, ao invés de mostrar desconfiança!

CFR: COLAÇÃO DE GRAU - CANDÓI

No dia 21 de dezembro de 2009 tivemos a Colação de Grau da 8ª série (Ensino Fundamental) da Casa Familiar Rural de Candói. A festa foi no Centro de Eventos de Candói. O motivo de tal 'celebração' foi pelo fato de esta ser a primeira turma que concluiu o EF depois que o Governo do Estado do Paraná assinou Convêniuo com ARCAFAR-SUL (2006) para que as CFRs tivessem a Escolarização, além da Qualificação (em Agricultura e Pecuária) que elas sempre tiveram.

A festa contou com inúmer@s colaborador@s, desde o local que foi cedido (patrimônio público, administrado pela Sociedade Rural), a doação da carne (charque excedente da Festa Nacional do Charque), das flores para a decoração, dentre outros. E um dos destaques foi o serviço doado pela primeira dama do Município, juntamente com sua equipe, na preparação do jantar, que por sinal estava muito bom.

Houve diversos discursos. Do Secretário da Agricultura (que alfinetou as coisas como estavam anteriormente), da Cordenadora da CFR (valorizando a caminhada), do Prefeito (que foi moderado e distribuiu elogios a granel) e do Articulador Pedagógico (que exaltou a importância desta etapa e da próxima que começará em 2010, com o EM na CFR). Ah, faltou a minha fala (que destacaria os prejuízos e benefícios que a CFR teve em 2009, mas sobre isto já falei em diferentes matérias escritas anteiormente neste Blog).

Foi um evento muito bonito! Claro que não foi 'formatura' de nada, apenas a conclusão de uma pequena etapa de formação, que deverá continuar nos próximos três anos. Mas não deixa de ser um momento de destaque e estímulo para continuar com mais força, interesse e dedicação!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

CFR: CURSO DE AGROECOLOGIA

Promovido e programado pela ARCAFAR-SUL, com recursos do Ministério do Desenvolvimento Agrário [MDA], na segunda-feira, 22/11/09 [e foi até 26/11/09], na Casa Familiar Rural, de Candói. O Ministrante é um jovem Engenheiro Agrônomo [perto do final do processo de formação], contratado pela COOPERATIVA EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA [COOESC]. Iniciei juntamente com @s inscrit@s o Curso de Agroecologia. A minha intenção é aprender mais e dar apoio moral e logístico à iniciativa, que promete ser de grande valor para a formação de noss@s educand@s.
Tenho 860 horas de curso em Agroecologia [Escola Sul da CUT, 1999-2000] e mais uma Especialização em Educação do Campo [540 h/UFPR, 2006 a 2008] com algumas disciplinas em Agroecologia [de forma específica] e a maioria com ênfase em práticas alternativas e emancipatória d@s trabalhador@s do campo. Estes cursos tiveram atividades práticas no campo [lavouras, formação e tipos de solo, organização solidária, cooperativa, políticas públicas, linhas de crédito, dentre outros].
Quanto à minha experiência é pequena, talvez não ultrapasse muito a horta de casa e o jardim. E avalio que é a nossa prática [sempre embasada pela teoria e gerando nova teoria a partir da prática] que dá sustentação ao que dizemos, ao que ensinamos às pessoas. Por isso que é minha meta, a partir do primeiro momento que dispôr de tempo [além do tempo de minha opção pela Educação] cuidar e trabalhar uma UPVF [um sítio, uma data, um lote] nesta perspectiva, junto com outr@s Agricultor@s!
Falando ainda sobre nosso curso na CFR, temos a expectativa que durante a ministração da 2ª parte possa haver mais atividades de campo, práticas de preparação de caldas e/ou preparados alternativos para combater desequilíbrio do solo, o ataque de insetos, ácaros, nematóides e outros.
Quanto ao mais, parabéns pelo trabalho realizado na primeira parte do Curso de Agroecologia.

A propósito, uma observação:
Nunca falei mal da CFR! Nem tive motivo para fazê-lo!
Em todos os artigos que escrevi aqui só falei bem do que é uma CFR, de seus princípios, de sua organização, de sua pedagogia, dos seus mantenedores, de suas dificuldades, das parcerias, convênios, etc.
Falei mal, sim, dos maus políticos que só olharam para seus umbigos e para seus interesses politiqueiros e colocaram a Casa Familiar Rural em grandes dificuldades e prejuízo.
Eles sim falaram muito mal da CFR, falaram mal das pessoas que trabalharam antes deles, na maioria das vezes de forma superficial, porque não olharam o todo do processo educacional e organizacional da CFR. Mas olharam o aspecto estético da CFR. 
Falei, com muita tristeza de atitudes mesquinhas e egoístas, de companheiros de trabalho, que na verdade eram amigos deles mesmos. Não tinham um compromisso com a CFR e a Pedagogia da Alternância.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Festa Nacional do Charque - Uma "Festa Popular"?


A Festa Nacional do Charque (FNC) até poderia ser popular, isto é, que coubesse dentro do orçamento da maioria do Povo, dentro do suas possibilidades financeiras, conforme as condições dos Trabalhadores e das Trabalhadoras. Para saber sobre esta questão estamos ouvindo os depoimentos de quem foi à FNC para saber se foi ou não popular.
Até aqui constatamos que os preços da alimentação praticamente dobraram. Isto tanto na praça de alimentação quanto nas barracas que vendiam salgados, creps, refrigerantes e outros. Os almoços foram preparados por uma empresa local ("Morena Rosa"?) e houve quem dissesse que estava muito bom.
Mas não sabemos ainda sobre os preços cobrados pela Prefeitura Municipal (que organiza o evento) pelas barracas cedidas a quem instalou seu comércio no local da festa.
Cabe ressaltar que a iniciativa de criar um evento municipal com esta proposta de 'recuperar a tradição do charque' é muito bacana, pois relembra as bases históricas, econômicas e culturais de nossa região, seja como criadora de gado bovino, seja como local de onde saiam tropeadas ou como ponto de passagem de tropas vindas de outras regiãos. Aliás, o tropeirismo é uma parte da programação da FNC e é muito concorrido... Neste ano de 2009 a tropeada contou com quase 200 cavaleiros/as.
E lembrar de tropeadas é lembrar do charque como parte dos víveres que constituiam o alimento dos tropeiros.
E agora cabe perguntarmo-nos quantos estabelecimentos ou agroindústrias em Candói produzem este elemento tradicional, o 'charque', que se constitui na base da Festa Nacional do Charque?!?
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Fonte das imagens:

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

E agora José?

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José?


Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?


E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,


seu terno de vidro, sua incoerência,
seu ódio - e agora?


Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?


Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!


Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, pra onde?
         Carlos Drummond de Andrade

SINTOMAS DA FOME DE "PODER POLÍTICO"

         Poderíamos dizer que são "sinais", ou que são "efeitos", ou que são "resultados"... de quem ascendeu ao poder. Na atualidade (refiro-me desde o final dos anos 80) se ascende ao poder político (Legisalativo e Executivo) pela via eleitoral. Claro que tudo indica que existem políticos saudosistas da velha guarda que gostaria de serem nomeados por uma ditadura direitosa (como aconteceu nos anos 60, 70 e 80). Mas este é assunto para outro dia!
          Queremos focar no fato de que ser eleito nem sempre satisfaz, seja o próprio eleito, seja o eleitor... Porque percebemos alguns sintomas de profundo descontentamento, seja por parte de quem foi eleito como por parte de quem elegeu. Não vamos generalizar, há 'honrosas excessões'! Tem eleitos que parecem solitários, na solidão, descontentes com o 'quadro que se desenhou'! Talvez porque seu 'companheiro' de partido ou de coligação não o deixaria crescer e depois tomar 'seu lugar'. Porque tem gente que no poder não deixa ninguém mais "crescer à sua sombra". É igual outras plantas cultivadas (ou expontâneas) embaixo de pinus ou eucalipto: não vivem e não crescem! Tem eleitos que gostariam de estar sendo paparicados, que uma xusma de puxa sacos estivessem rodeando-os e elogiando-os... Mas não é o que sucede. Há uma espécie de indiferença por parte da base!
Mas há eleitores (aqueles de quem o voto ajudou eleger alguém..) que também estão profundamente descontentes, infelizes, depressivos, apesar de seus(s) candidato(s) ter(erem) sido eleito(s). Vá entender!  Está na cara deles o mal estar estampado. Está em seus olhos. Está em suas reações. Está em sua postura nada cidadã... Por que será?
          Por outro lado há cidadãos que por mais que tenham esperado outro resultado e tenham sido frustrados no pleito eleitoral, que depositavam esperanças em outros candidatos, em outros nomes, em outro projeto, em outros/as homens e mulheres, que estão felizes, estão contentes, estão conformados, porque eles/elas não tem "memória curta", já conhecem a História e sabem como são as coisas e o que pode vir (com certeza!) apesar de não ser o que eles/as desejavam. O "quadro já está pintado", e mormente qualquer coisa que vir não passará de maquiagem, de disfarce, com "movimentos friamente calculados". Pois afinal, como disse Maquiavel: "Os fins justificam os meios" !
          Vamos dizer ainda que somos ingênuos e não sabemos: "Afinal, por que algumas pessoas 'dão a vida' para conquistar o poder?" Ah, "se eu soubesse" !

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

RUAS ESBURACADAS DE CANDÓI E MEMÓRIA...

Por que motivos empresas constroem asfaltos tão fraquinhos, que em pouco mais de quatro anos já estão deteriorados, cheios de buracos que estragam os carros que por ali passam ou obrigam-nos a fazer zig zag?
Por que será que prefeitos esquecem que foram eles que administraram tais construções e logo começam a lançar acusações na mídia contra seus antecessores?
Prefeitos também têm "memória curta" ou é uma forma de "tirar o corpo fora"?
É tão fácil ir a uma emissora de rádio ou a um jornal e jogar acusações para todos os lados!
É muito bom quando nós seres humanos temos a honestidade de olharmos para nós mesmos e reconhecermos quem de fato somos, ao invés de nos escondermos atrás de acusações e calúnias contra outrem!
"Povo sem memória é Povo sem História!" Que pelo menos a memória de nosso Povo cresça cada vez mais para não repetir os erros do passado histórico...

O REVERSO DO DIA DE FINADOS


No domingo, em reunião familiar, conversávamso sobre as ações referentes ao dia dos mortos. Hoje, em nosso local de Trabalho, retornamos ao tema... Naquele dia falávamos sobre as toneladas de flores que são levadas aos cemitérios para enfeitar o espaço das pessoas falecidas. E de como estas flores, na semana subsequente, são transportadas pelo sistema de coleta de lixo até os aterros sanitários. E hoje avaliávamos sobre as toneladas de parafina (ou produto similar) que são igualmente quemadas para homenagear os entes queridos. E que, em dias quentes como tem sido agora, deve aumentar a poluição, como contou-nos um companheiro (Gilberto) que esteve em São Paulo no fim de semana e ao visitar o cemitério, sob um calor de 40 graus, ainda tinha aquele mar de velas aumentando o efeito de calor no ambiente. E, de qualquer modo, as velas constituem um desperdício, pois não fazem diferença alguma para quem já passou para outra dimensão.

Entendemos, em ambas as situações, como um despropósito resultante de uma cultura, de uma crença, de um costume que precisa ser questionado, repensado e dado encaminhamentos mais inteligentes e racionais. Não somos contra o cultivo da memória das pessoas que já morreram... Quando paramos diante de uma simples lembrança nos é muito doloroso a falta das pessoas amadas, que já não estão entre nós, como uma irmã, um vovoso, um/a amigo/a... São lacunas que nos custam muito e não tem como preencher!

Mas nos perguntamos se vale a pena tanto material (flores e velas) simplesmente jogados fora?!? São tantas as instituições sérias que estão trabalhando para resolver as questões sociais da falta de trabalho, da falta de terra, da falta de alimento, da falta de moradia, da falta de educação, das faltas de tudo na vida de tantas pessoas que estão entre nós... E estas não trabalham apenas dando esmolas e criando dependência paternalista! São organizações que tem procurado criar condições de vida digna e aparelhamento aos nossos semelhantes marginalizados pelo sistema excludente. Está ai uma oportunidade de avaliarmos estas ações, que para alguns constituem a unica coisa para relembrar os mortos e depois, durante o ano todo, não fazem mais nada!

É possível, é recomendável e deveria ser  exigido que os cemitérios se tornassem ambientes mais discretos, ajardinados. E até se poderia plantar neles pomares, como era lá em Ponta Grossa/PR, no Convento das Irmãs Servas do Espírito Santo, onde se produziam peras muito saudáveis e gostosas! Junto com espaços verdes há que se pensar menos monumentos que só ocupam o espaço, e partir para recolhimento periódico de ossos (para guardar ou dra outros destinos). Ah, já pensaste como fica bonito um cemitério cheio de flores vivas nele cultivadas, sem aquele monte de plástico ou de flores ali colocadas hoje e que amanhã serão jogadas no lixo?

sábado, 31 de outubro de 2009

"É preciso comer menos carne para salvar a Terra?"

"Fabrice Nicolino, autor de Bidoche, L’Industrie de la viande menace le monde (Éditions Les Liens que Libèrent), respondeu, dia 16 de outubro, às questões dos leitores do Monde.fr sobre os efeitos nocivos do aumento massivo do consumo mundial de carne sobre o meio ambiente e a saúde.
Os diálogos com Fabrice Nicolino estão publicados no Le Monde, 16-10-2009. A tradução é do Cepat.
Ours: De que modo a produção de carne tem consequências sobre a mudança climática?
Fabrice Nicolino: É uma questão complexa, mas dispomos de um documento oficial, institucional, um enorme relatório de 2006 da Organização para Alimentação e Agricultura (FAO), da ONU. De fato, trata-se de uma análise global de todo o ciclo da produção pecuária no mundo. Não somente dos animais, mas a sua alimentação, os meios de transporte utilizados [para levá-los aos frigoríficos]. Esse relatório estima que todo o gado mundial emite 18% de gás de efeito estufa de origem humana, e esse total é superior àquele que diz respeito aos transportes utilizados pelos seres humanos (carros, navios…).
Pharell_Arot: Bom-dia. Sendo um aficionado por carne, eu me pergunto sobre as condições a serem adotadas para conjugar os prazeres alimentares e o desenvolvimento sustentável. Quais são, para você, as precauções que um consumidor médio pode tomar imediatamente?
Fabrice Nicolino: A primeira coisa é lembrar que o consumo de carne na França foi multiplicado aproximadamente por 4 desde a segunda Guerra Mundial. Nós comemos muita carne, por razões econômicas e políticas. Eu realmente não tenho conselho a dar. Minha opinião é que podemos comer muito menos carne, comer uma carne de melhor qualidade. Pessoalmente, eu como carne, mas cada vez menos, e é carne biológica, porque nesta maneira de produzir está proibido o uso em grande quantidade de produtos medicinais e químicos.
Pharrell-Arot: Há consumos de espécies menos perigosas que outras para o planeta? A de porco, por exemplo?"
Continua... Para ler este diálogo na íntegra entre aqui:
http://www.ecodebate.com.br/2009/10/31/e-preciso-comer-menos-carne-para-salvar-a-terra/